Mulheres Guerreiras e Vencedoras por Jac Bagis

Mulheres Guerreiras e Vencedoras.

Eu me lembro quando assistia ao filme “O Todo Poderoso”, uns dos vários filmes do Jim Carrey fez, em que ele faz o papel de Bruce Nolan, um jornalista que tem um bom emprego na TV. Num acesso de fúria ele começa a falar mal e questionar Deus e seu modo de fazer tudo funcionar, o que faz com que ele próprio (Morgan Freeman) resolva descer à Terra como um homem comum e lhe entregar o poder de comandar o planeta da forma como desejar durante um dia. É quando Bruce percebe o quão difícil é ser Deus e tomar conta de tudo o que ocorre no planeta. Mas de todo o filme quero destacar a parte em que Bruce e Deus conversam sobre o que é um milagre e Deus diz que quando uma mãe solteira trabalha em dois serviços, chega cansada pra arrumar casa e fazer comida e ainda arruma tempo pra se dedicar aos filhos isto é um milagre!

Minha mãe, chamada por todas como Fran, nasceu no interior do Ceará numa família pobre de oito irmãos. Ela e seu irmão caçula eram frutos de um relacionamento de minha avó com um homem casado que tinha várias mulheres com vários filhos dele. Minha vó viúva, caiu na lábia e na promessa de uma vida melhor para ela e os outros seis filhos que viraram oito. Mas, mesmo depois do engano, não esmoreceu e continuou a trabalhar para sustentar os filhos. Minha mãe me relatou as várias vezes que minha vó ia até o rio lavar as roupas que pegava como encomenda. Minha vó também era parteira e “capadora” de porcos e galos. Só que também não fez coisas muito louváveis, não sei se pelo fato de ter ódio do homem que a enganou, tentou dar minha mãe duas vezes para uma família e depois tomou de volta e quando as irmãs mais velhas de minha mãe ganhavam bebês, minha mãe ainda com seus oito anos de idade (a idade do meu primogênito) ficava na casa delas cuidando dos outros sobrinhos, da lida da casa, de fazer as refeições num fogão a lenha. Sofreu muito na mão de uma de suas irmãs, sofrendo castigos corporais e abusos psicológicos.

Então, quando minha mãe estava prestes a completar 18 anos, deu o seu grito de liberdade e independência. Até aquele momento, ela não possuía sequer uma certidão de nascimento. Fez seus documentos, arrumou um emprego, alugou um quartinho no centro da cidade próximo ao seu serviço e passou a escrever uma nova história para si. Aos poucos, foi comprando coisas que sempre quis (roupas novas, perfumes, roupas íntimas), fazendo novas amigas. Até que minha vó descobriu ser portadora de um câncer uterino. Nenhuma das minhas tias se ofereceu pra cuidar da minha vó e minha mãe foi cuidar dela. Trabalha durante o dia e ajudava minha vó com os medicamentos, com o tratamento. O médico deu seis meses de vida pra ela, mas minha vó resistiu dois anos. Quando morreu, minhas tias pegaram tudo (isso mesmo, TUDO) o que pertencia a minha vó e enterraram, alegando que a doença havia contaminado tudo. Depois disso, minha mãe resolveu tentar a sorte

E digo à vocês que minha mãe foi uma guerreira e é uma vencedora. Chegou a São Paulo aos 20 anos, conseguiu emprego, alugou uma casa pra morar, às vezes morava em pensão, aos 25 anos conheceu meu pai, um ano depois casaram. Foram morar em um cômodo acho que quatro por quatro em um terreno que meu pai ainda estava construindo a casa, este cômodo não tinha banheiro e foi ali que eu nasci um ano depois que eles casaram. Quando minha mãe descobriu-se grávida do meu irmão do meio (eu tinha nove meses) ela deu um ultimato pro meu pai arrumar um serviço melhor pra terminar de construir aquela casa (meu pai trabalhava uma vez por semana), meu pai entrou na polícia, voltou a estudar e chegou a cursar alguns meses no curso de Letras na faculdade. Minha mãe depois que casou não trabalhou fora pra educar os filhos, mas não deixou de trabalhar vendendo seus artesanatos, revendendo cerâmica, artigos para cama, mesa e banho e durante muito tempo trabalhou como costureira. Hoje eles têm três casas (meu pai diz que é cada casa para cada filho – somos três irmãos), carro, minha mãe hoje ensaia os primeiros passos no computador para enfim se render à inclusão digital.

Vencedora. Vencedora é a guerreira que não pára de lutar mesmo em meio às adversidades, que não fica chorando se fazendo de coitada, vítima. Chora porque a luta dói e não é fácil, mas enxuga as lágrimas e segue em frente. Pense em seus objetivos, foque neles e vá à luta. Tudo na vida deve ser conquistado e nada cai do céu. Aquele ditado que diz “Tudo que vem fácil, vai fácil.” É verdade. Prefiro o que vem difícil, porque é o que permanece.

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6 Responses so far.

  1. Ro says:

    Jac , que lindo!!!
    Que Deus abençoe o mundo com muitas mulheres como sua mãe e que ela sirva de inspiração a todas aquelas que só fazem gemer "que não tem sorte na vida".
    Realmente ,é uma mãe-milagre , a sua.
    Beijos pras duas.

  2. Luluzinha says:

    Oi Giogi, passei pra deixar um beijo , estou na corrida, sem tempo pra nada ,


    Luiza

  3. Parabéns, Jac!

    Sua mãe é um exemplo!

    beijos

  4. Jac Bagis says:

    Sim, minha mãe é um exemplo. Se eu me tornar metade do que ela é, sei q serei uma grande mulher!

  5. Que lindo amiga!!!! minha avó era bem parecida com a tua, mas minha mãe, nada haver!!!! parabéns amiga pela mãe batalhadora que você tem!! que serve de exemplo para varias mães por aí.

    bjsss

  6. Jac realmente essa é uma história para ser contada porque tem muita gente que fica só se lamentando. Todas deviam seguir o exemplo de sua mãe ... guerreira e batalhadora. Não é por menos que você é esta pessoa tão especial, que está sempre ajudando todo mundo.
    Te adoro!
    Nane
    :)

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