Simplicidade x Vaidade

Meninas, assunto sério, porque nem só de moda, makes e creminhos vivemos nós mulheres glamourosas (pedindo emprestado o slogan da Rô do E isso é Glamour?).

Visitando os blogs de amigas, me deparo com um meio que desabafo da Elisa do Vou mais leve, e amei. Tudo o que eu estava querendo dizer ela disse neste post aqui.

E vou mais além porque ela fez esse post por uma citação de outra amiga do Demais pra minha cabeça a Adriana, nesse post aqui.

Bom se vcs leram os dois posts já sabem do que estou falando: Simplicidade. É simples né gente?!
Quem me conhece sabe que eu adoro shampoos, cremes, coisitas e coisitas mais, mas nós estamos em uma época que é muito fácil morrer de pena do que aconteceu no Haiti (que a gente está vendo pela TV) do que ajudar o vizinho que está sem feijão em casa.

Não importa se ele encheu a cara no Carnaval, ou está devendo porque comprou algo novo, não cabe a nós julgar o porque. Cabe a fazer o bem sem olhar a quem ou o porque (frase do Sr. dos Anéis).

É muito fácil a gente falar: Ah mas fulano fez isso ou aquilo, e o resto da família? A gente faz o que? Ignora?

Vivemos em uma bolha aonde somos o que temos no bolso, ou se andamos conforme os padrões da moda, ou pior ainda se não temos o que oferecer financeiramente ou se não dos adequamos à "tribo", somos escolhidos pelo que temos a oferecer com nosso trabalho.

Lá se foi o tempo em que se pedia uma xícara de açúcar ao vizinho sem ele te pedir um kilo de volta depois, o tempo em que amizade era simples amizade, não uma troca de favores.

Foi-se o tempo de se valorizar a vida pelo sorriso de uma criança, a gargalhada de um amigo, o presentinho envolto em um papelzinho de presente da papelaria da esquina.

Claro, não estou desdenhando ou dizendo que os "mimos" que eu também adoro são coisas de outro mundo, não, nós gostamos e às vezes pagamos, mas esqueceu-se do consumismo consciente, aquele em que se a gente está sem grana não gasta estoura o cartão de crédito pra comprar, como a Karen do m.a.c. maníaca diz nos posts dela.

Vivo em um conjunto aonde as pessoas tem o nariz super em pé, é verdade! Claro nem todas, mas a maioria. Um Conjunto que há muito tempo foi de Marinha e hoje o que restou são filhos e netos e viúvas da Marinha que recebem suas pensões. E quando minha casa pegou fogo todo mundo falou, comentou. E ainda assim tava lá eu e o Sr. dos Anéis raspando parede, teto e pintando. Não, não me levem a mal, não queria nada não, mas esperei que alguém pelo menos se abalasse, e nada, não foi na casa dos outros né? Foi na minha. Só puder contar mesmo com minha família que prontamente foi à rua comprar massa e tinta pras paredes, tinha gente que tinha isso estragando em casa. Mas não é na casa deles, é na minha, hoje em dia é preferível deixar estragar do que doar.

Claro que sei que ninguém tem obrigação à nada, e nem estou reclamando, só mostrando os fatos, porque é fácil mostrar os fatos da TV mas da vida real, é outra coisa.

Vivi de perto, o susto, o pesar de perder as coisinhas que a gente compra com tanto sacrifício virarem foligem. Claro que bom que não aconteceu nada comigo e com minha família, mas reconstruir é mais difícil que construir.

Não vou deixar de falar de creminhos, de cabelos, e as coisitas que nós gostamos, mas preciso falar também da vida real, porque vivo todos os dias a incerteza do amanhã.

Às vezes me pego pensando o que houve com o mundo? Na época de nossos pais (nota: eu tenho 38 anos), a vida era mais fácil, as pessoas eram mais fácil, o sorriso era mais fácil, e olha que não tive uma infância abastada não.

E hoje quando vejo alguém sem um leite em casa pra dar aos filhos, sem arroz ou feijão, corro dentro da minha e pego o que puder, sem pensar, ou pestanejar.

Hoje em dia aquele ditado: "Aonde come um come dois", virou: "Aonde come um quando aparecer outro a gente esconde o prato". E eu estou falando de comida minha gente, comida, e olha que "a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte", mas muitas vezes as pessoas estão só querendo comida mesmo.

Eu ouvi pessoas falando: Olha eu não tenho grana, mas me diz como posso te ajudar! Meninas da blogosfera. E outra que catou várias coisas de casa e mesmo longe e mesmo sem saber o que preciso fez um pacote e me mandou, outras tantas ficaram super preocupadas comigo e me deram a maior força. Isso é solidariedade minha gente! Ainda bem que ainda tem!

Em outro caso, a saga do dente, eu tive várias demonstrações de afeto e carinho, uma delas foi minha dentista virtual a Su do Bazar da Su, que me deu a maior força com meus medos durante essa fase, e tantas outras amigas que me deram força, e até hoje perguntam por mim e sentem minha falta, né minhas duas Rôs?! Uma do Gato Mia e a outra do E isso é Glamour? Muito obrigada à todas que se preocuparam e que até hoje mesmo com meu distanciamento do mundo blogueiro ainda me procura e se preocupa. Muito obrigada mesmo!

Então ainda tenho fé em um ser humano ou outro, e ainda vou exercer minha simplicidade como a Adriana, mas assim como ela tenho preguiça também. Preguiça de seguir o bando e ficar igual propaganda de TV, todo mundo igualzinho, com saias voando e eu pensando que em vez de chuva vindo é porque meu perfume é delicioso.

Dou muitas graças, porque nós aqui não quebramos, sempre teimo em dizer, nós somos o galhinho que enverga mas não quebra. E dou a volta por cima, em tudo. Mesmo com uma doença que às vezes me deixa sem levantar da cama, quando cismo, levanto tomo um banho, lavo a cabeça, olho pra minha filha feliz da vida com as barbies que ganhou usadas.

Não decidi escrever esse post pra me lamentar não, não vejam essas palavras como lamentos ou como se que quisesse que o mundo tivesse feito mais por mim. A parte que eu falei de mim foi só pra mostrar o mundo real, que tenho certeza que todas, todas mesmo, todas vcs conhecem, mas precisamos ainda mostrar pra muitas. O mundo mudou e temos a necessidade de mudar de novo, e pra melhor, e somos nós que vamos fazer isso, nós que temos uma internet muito da safada, mas que ainda podemos postar essas palavras que vão fazer pensar.

Então precisando de claro, de alguém que me inspirasse nesse post, pra lá de longo (só escrevo assim, gostaria de escrever só algumas palavrinhas, mas daí vira testamento), já comecei pensando em colocar uma crônica maravilhosa de nosso Luiz Fernando Veríssimo:

Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam – e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, por pouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida mas não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.

Pena e comiseração para os que preferiram o pássaro na mão. Para os que não foram ser os legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular. Para os que pensaram duas vezes. Pena e comiseração para os que envelheceram tentando decidir o que iam ser quando crescessem. E para os que decidiram, mas na hora não foram.

Alguns passam a vida acompanhados pelo que podiam ter sido. Por fantasmas do irrealizado. Um cortejo de ressentimentos. Este aqui sou eu se tivesse decidido fazer aquele curso em Paris. Este outro sou eu se tivesse chegado um minuto antes no vestibular…

Olha que bom aspecto eu teria se tivesse aceito aquela nomeação. Veja o bigode. O corte decidido do cabelo. O olhar de quem é firme, mas justo com subalternos. A cintura ajustada. As mãos que não tremem. Elas me seguem por toda a parte, as minhas alternativas.

Você conhece muitos assim. Gente que cultiva suas oportunidades perdidas como outros guardam o próprio apêndice num vidrinho. E não perdem oportunidade de contar como foi a oportunidade perdida.

- Foi num jogo de pôquer. Tinha dois pares e não joguei. Quem ganhou tinha só um. A melhor mesa da noite. Milhões. Eu, hoje, seria outro.

- Fiz uma ponta naquele filme do Tarzã, mas cortaram a minha parte. Se tivessem me visto em Hollywood…

- Se eu tivesse dito sim…

- Se eu tivesse dito não…

- Se mamãe não tivesse interferido…

- Uma vez fui fazer um teste no Fluminense. Abafei. Mas a família foi contra. Insistiu com a contabilidade. Eu, hoje, seria outro.

- Já tive a minha época de escritor, tá sabendo? Uns contos até razoáveis. Mas nunca me mexi. Hoje eles estão numa gaveta, sei lá.

- Você sabe que só não me elegi deputado, porque não quis?

- Eu, hoje, podia ser até primeiro-violino.

- Tudo porque eu não saí daqui quando devia. Pena e comiseração para os que não saíram daqui quando deviam. Há quem diga que o passo crucial só pode ser dado uma vez e nunca mais. Tem a sua hora certa, e ela não volta. Bobagem, claro. Mas não para os que tiveram a sua hora e não aproveitaram. Os mártires do por pouco.

- Sei exatamente quando foi que eu tomei a decisão errada. Foi numa noite de Ano-Bom.

Você já ouviu a história várias vezes. Mas não pode impedi-lo de falar. O único divertimento que lhe resta é o que ele poderia ter sido. Os que não deram o passo crucial quando deviam estão condenados ao condicional. E têm a volúpia da própria frustração.

- Se eu tivesse aproveitado… Ela estava gamada. Gamadona. Filha da segunda fortuna do Brasil.

Da última vez que você ouviu a história, era a terceira fortuna do Brasil, mas tudo bem.

- Bobeei e babaus. Hoje, quando eu penso…

Você tenta ajudar.

- Podia não ter dado certo. O pai dela não ia deixar. Um morto-de-fome como você…

- Morto-de-fome, porque eu não dei o passo crucial na hora que me ofereceram aquele negócio no Mato Grosso. Ia dar um dinheirão.

- Mas se você fosse para o Mato Grosso, não teria conhecido a menina na noite de Ano-Bom.

- Pois é. Agora é tarde. Sei lá.

Agora é tarde. As decisões erradas são irrecorríveis. Você o imagina cercado das suas alternativas. De um lado, casado com a, vá lá, primeira fortuna do Brasil. O último homem do Rio a usar echarpe de seda. Grisalho, mas ainda em forma com aquele tom de pele que só se consegue passando o dia na piscina do Copa, mas na sombra. Do outro lado, o próspero fazendeiro do Mato Grosso que pilota o seu próprio avião e tem rugas em torno dos olhos de tanto procurar o fim das suas terras no horizonte, ou de tanto rir dos pobres. E no meio, ele, a ponto de lhe pedir dinheiro emprestado outra vez. Triste, triste. Eu ia escrever uma boa crônica sobre tudo isso. Mas o assunto me fugiu, perdi a hora certa. Agora é tarde.

Pois é meninas, pena e comiseração pra gente se não disser nada e calar. Dar o passo crucial, se jogar, também por muitas vezes é falar, e muito, e por muitas vezes é ouvir e muito. Mas o principal é agir, de alguma forma, mas agir, para que o mundo não se torne uma concha aonde as pessoas não se importem mais com as outras.

Beijos

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7 Responses so far.

  1. Você está muito certa Gigi, post maravilhoso!! Sobre solidariedade, não podemos nunca perder a fé no ser humano, como vc mencionou!!!Palavras lindas e verdadeiras. Muito bom o texto do Veríssimo...



    Beijos,
    Carol

  2. Eliane says:

    Gatinha fiquei sem palavras vc falou tudo e bem bonito. Parabens por tão bela reflexão!!! Foi o dente bichado!!!!!

  3. Menina, parece transmissão de pensamento, depois veja o post que fiz!! Esperança e fé na humanidade! Acho que é uma coisa que sentimos tanta falta ultimante, que nunca é demais pedirmos por mais!! beijocas

  4. c r i s says:

    Menina, você e a Rô combinaram, hein? Que coisa! Certíssimamente Ma, também fico triste com certas coisas, mas penso que é melhor falar, agir, do que ficar no se...

    Bjo querida e adorei tua volta!!

  5. Ro says:

    Amiga!!!!!
    Força de um carater se mede pela audácia em dizer a verdade , quando o resto do mundo se cala.
    Arrasou Beesha!!!
    Mil Beijos

  6. A sociedade está preguiçosa, com preguiça de tudo. Preguiça até de ajudar ao próximo. Seguir a moda é mais fácil do que criar a própia.
    Assim o mundo está caminhando. A modernidade e a tecnologia ajudam muito nisso.
    Gostei muito do seu post. Li o da Roberta M. e também adorei.
    Beijos!

  7. Su says:

    Flor otimo post.. acho que esta é a semana das "pensadoras" rs

    E sempre que precisar, mesmo escondida rs..estarei por aqui..

    Adorei conhece-la.

    BjaOoOOo

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